Fragmentos da Mente

Sonder

A palavra sonder, do inglês, remete à reflexão de que os outros têm vidas tão complexas como a nossa. Todos têm histórias, emoções, diálogos internos, aspirações, vícios... assim como nós.

Foi este termo que conheci no outro dia enquanto vagueava pelo Bear, através de um post que ressoou em mim e colocou em palavras algo que sempre esteve presente nos meus pensamentos.

O autor do post refere que gosta de se perder a imaginar as histórias e detalhes por detrás de cada pessoa que encontra: que hobbies terão, que planos farão, para onde se dirigem.

A mim fascina-me muito mais observar as ações, tentar entender as personalidades e maneirismos de cada um: o que levou aquela pessoa a tornar-se tão fria, porque é que aquela pessoa não sorri, aquela prefere ouvir em vez de falar, aquela outra não olha nos olhos de ninguém, já o João não pode ouvir uma musiquinha que começa logo a bater o pé junto com o seu ritmo... Qual terá sido o processo através do qual cada um se tornou quem é no presente. Ponho-me a imaginar que dores terão, medos, paixões, um sem fim de pormenores.

Há uma certa beleza na complexidade da vida de cada um, no simples facto de termos a capacidade de nos apercebermos disso, a nossa capacidade de empatizar com os outros.

É fascinante pensar no culminar de destinos alheios, o trajeto que duas almas distintas travaram para se encontrarem justamente no ponto que as permitiu conhecerem-se.

No meio destes pensamentos apercebi-me que a minha vida e a minha personalidade nunca me pareceram tão interessantes como as que observo a meu redor. Sinto que não tenho uma personalidade definida, não consigo delinear traços que me descrevam... Sinto que mudo consoante o ambiente e situação em que me encontro, que me contradigo constantemente. Já tentei várias vezes comportar-me de acordo com quem acho que sou independentemente do que aconteça na minha vida e falhei em cada uma delas. Fui então em busca de um termo que exprimisse isso mesmo e foi então que encontrei a palavra: anoscetia.

Caí num chamado rabbit hole através desta pesquisa: The Dictionary of Obscure Sorrows. Um dicionário repleto de palavras criadas para exprimir os mais profundos conceitos humanos, aconselho vivamente que visitem!

Foi uma manhã bem passada, tenho a certeza que farei mais posts relacionados a palavrinhas que vou encontrando neste dicionário maravilhoso.

#reflexoes-longas