Fragmentos da Mente

Idas ao barbeiro

Há poucos outros eventos que se possa dizer que se assemelham a uma ida ao barbeiro.

Não acredito que se vá cortar o cabelo/barba por necessidade, no verdadeiro sentido da palavra. Vamos quando começa a dar trabalho a mais de manhã, o vento nos atrapalha em tudo o que fazemos, os produtos que usamos desde sempre já não estão a conseguir fazer o seu trabalho, quando já não nos sentimos bonitos. Vamos por comodidade.

Mas deixando um pouco de parte o que nos faz lá ir, quero focar-me no momento em si, na arte e no artista. Um bom barbeiro é um camaleão, adapta-se ao cliente que está a atender, à sua personalidade, aos seus interesses. Sabe escutar, falar e abster-se com um timing tão aperfeiçoado que nem nos apercebemos que estamos fomos parte da sua atuação até que terminamos a nossa visita e fica apenas aquela satisfação e vontade de voltar.

Ir ao barbeiro é também como depositar o presente numa cápsula do tempo. Encontramo-nos com aquela pessoa constantemente em fases diferentes das nossas vidas, os interesses mudam, as ideias que fluem são sempre diferentes e acabamos sempre por absorver um pouco do que ouvimos. Contamos o que estamos a passar, descobertas interessantes, infelicidades e alegrias; trocamos opiniões e no final saímos sempre como pessoas mais completas, apesar do cabelo que perdemos.

São confidentes, amigos e psicólogos. Conhecem-nos como poucos outros, e guardam tudo para si mesmos. São verdadeiros poços sem fundo.

#reflexoes-longas